A guerra contra os incêndios florestais em Mato Grosso ganhou um novo capítulo nesta semana com a prisão de cinco pessoas acusadas de provocar queimadas criminosas em apenas quatro dias.

As ocorrências reforçam a preocupação das autoridades com o início do período mais crítico da estiagem, quando a combinação entre vegetação seca, baixa umidade do ar e ação humana aumenta significativamente o risco de grandes incêndios. 

O caso mais grave foi registrado na noite de terça-feira (4), em Nova Santa Helena (603 km ao Norte de Cuiabá), onde quatro homens foram presos em flagrante enquanto ateavam fogo em uma área de vegetação próxima a um assentamento rural. 

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar (CBM), os suspeitos utilizavam uma estratégia para acelerar a propagação das chamas: derretiam pedaços de mangueira plástica com isqueiros e lançavam o material incandescente sobre a vegetação seca, criando diversos focos simultâneos de incêndio. 

Três suspeitos foram detidos ainda durante a abordagem realizada pelos bombeiros.

O quarto conseguiu fugir antes da chegada da Polícia Militar, mas foi localizado pouco depois durante buscas na região. 

A rápida intervenção evitou que o incêndio atingisse áreas maiores do assentamento, embora o combate às chamas tenha prosseguido durante toda a noite. 

Poucos dias antes, em 1º de agosto, outra prisão havia sido realizada em Santo Antônio de Leverger, na Baixada Cuiabana. 

Acionados para combater um incêndio de grandes proporções no bairro Jardim Santo Antônio, militares do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros flagraram um homem colocando fogo na vegetação durante o deslocamento para a ocorrência. 

Enquanto parte da equipe efetuava a prisão em flagrante, outra permaneceu no local combatendo o incêndio para impedir que as chamas se espalhassem. 

Os nomes dos cinco presos não foram divulgados. 

MAIS RIGOR - As prisões ocorrem em um momento de endurecimento das ações de fiscalização em Mato Grosso. 

Desde 1º de julho, está proibido o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal.

A restrição permanece em vigor até 30 de novembro, período considerado de maior vulnerabilidade para incêndios florestais.

Nas áreas urbanas, a utilização do fogo permanece proibida durante todo o ano. 

O Corpo de Bombeiros lembra que provocar incêndio em mata ou floresta é crime previsto no artigo 41 da Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605/1998), com pena de dois a quatro anos de reclusão, além de multa. 

Dependendo da extensão dos danos provocados, os responsáveis também podem responder civilmente pelos prejuízos ambientais e serem obrigados a reparar as áreas degradadas. 

FORÇA-TAREFA - Enquanto intensifica a repressão aos incêndios criminosos, o Corpo de Bombeiros mantém operações em diversas regiões do Estado para conter focos ativos. 

Desde o início do período proibitivo, equipes já atuaram em ocorrências registradas em Canarana, Dom Aquino, Chapada dos Guimarães, Colniza, Guarantã do Norte, Guiratinga, Nova Maringá, Paranatinga, Ribeirão Cascalheira e São Félix do Araguaia. 

Na terça-feira (4), bombeiros concentraram esforços no combate ao incêndio na região do Coxipó-Açu, nas proximidades do Lago do Manso, em área do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. 

A operação foi realizada em apoio ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela unidade de conservação federal. 

Além das equipes em solo, uma aeronave lançou aproximadamente 6 mil litros de água sobre a área atingida, contribuindo para controlar o avanço das chamas e extinguir o incêndio no dia seguinte. 

Mesmo após o controle do fogo, o monitoramento continua. 

Segundo o Corpo de Bombeiros, todas as áreas atendidas permanecem sob vigilância preventiva para evitar reignições e permitir a identificação de novos focos antes que se transformem em grandes incêndios. 

Com a estiagem avançando e a previsão de um período prolongado de baixa umidade, a corporação reforça que a colaboração da população será decisiva para reduzir o número de ocorrências e evitar novos prejuízos ambientais.

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