Cerca de 85 barragens com alto risco de acidentes foram constatadas no Mato Grosso
Mato Grosso está entre os estados brasileiros que concentram o maior número de barragens classificadas como prioritárias para ações de segurança.
Levantamento da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) aponta que 85 estruturas em operação no Estado apresentam problemas de conservação ou não atendem integralmente às exigências da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).
Isso aumenta o risco de acidentes e exige acompanhamento permanente dos órgãos fiscalizadores.
Os dados constam no Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), divulgado pela agência.
Em todo o país, foram identificadas 213 barragens consideradas críticas, distribuídas por 19 estados e no Distrito Federal.
São estruturas que, além de apresentarem falhas de segurança, têm potencial de causar danos à população, ao meio ambiente e à infraestrutura, como rodovias, pontes e áreas urbanas, em caso de rompimento.
Em Mato Grosso, as barragens classificadas como prioritárias estão distribuídas em dezenas de municípios.
Cuiabá concentra quatro dessas estruturas e Várzea Grande possui outras duas.
Também aparecem na relação cidades como Poconé, Nossa Senhora do Livramento, Jangada, Poxoréu, Pontal do Araguaia, Mirassol d'Oeste, Ipiranga do Norte, Guiratinga, Alta Floresta, Campo Verde, Canarana, Barra do Garças, Confresa, Juína, Querência, Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Rondonópolis, Tangará da Serra, Rosário Oeste, Pontes e Lacerda, Água Boa, Ribeirão Cascalheira, Sapezal, São Félix do Araguaia e São José do Xingu.
As estruturas possuem diferentes finalidades, como contenção de rejeitos de mineração, geração de energia hidrelétrica, irrigação, aquicultura, abastecimento humano, dessedentação animal, regularização de vazão, uso industrial e paisagístico.
O relatório também registra ocorrências envolvendo barragens em Mato Grosso, no ano passado.
Houve um acidente em uma barragem de rejeitos minerais localizada em Nossa Senhora do Livramento (48 km a Oeste de Cuiabá) e um incidente na Usina Hidrelétrica (UHE) de Colíder (650 km ao Norte).
Embora os casos tenham sido monitorados pelos órgãos responsáveis, eles reforçam a necessidade de fiscalização contínua das estruturas classificadas como de maior risco.
CADASTRO COM FALHAS - O Relatório de Segurança de Barragens mostra que Mato Grosso temi 658 barragens cadastradas no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB).
No Brasil, o número chega a 29.761 estruturas registradas pelos 33 órgãos fiscalizadores responsáveis pelo monitoramento.
Apesar do aumento no número de barragens cadastradas em relação ao ano anterior, a ANA chama atenção para a lenta implementação da Política Nacional de Segurança de Barragens.
Segundo o órgão, 14.355 barragens — o equivalente a 48% das estruturas cadastradas no país — ainda têm situação considerada indefinida, porque faltam informações técnicas essenciais para determinar se estão ou não enquadradas na legislação federal.
A Política Nacional de Segurança de Barragens estabelece regras para estruturas que apresentem, pelo menos, uma das seguintes características: capacidade superior a 3 milhões de metros cúbicos, altura superior a 15 metros, reservatórios com resíduos perigosos ou potencial de dano associado classificado como médio ou alto.
Elaborado anualmente desde 2011, o Relatório de Segurança de Barragens reúne informações encaminhadas pelos órgãos fiscalizadores e serve como instrumento para orientar ações de prevenção, fiscalização e redução dos riscos relacionados às barragens em todo o país.















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